17
Ago 12

Jane Eyre de Charlotte Bronte é possivelmente uma das grandes histórias da literatura britânica clássica que mais aprecio. Isso é indubitável desde há algum tempo a esta parte. Ler a obra é um prazer e é inevitável não me condoer com a jovem Jane Eyre ou então com o coração terrivelmente amargurado de Edward Rochester e com o estranho mas profundo sentimento que nasce entre estes dois seres.

 

No que respeita às adaptações televisivas ou cinematográficas, confesso que adoro as duas últimas realizadas. A televisiva (série) de 2006 com Toby Stephens e Ruth Wilson é maravilhosa e a mais fiel à obra original; a cinematográfica de 2011 é igualmente bela apesar de mais curta. Pessoalmente, e atendendo à que mais rápido me toca o coração, gosto da última. Acho a Jane Eyre da Mia Wasikowska muito boa, tendo ela um ar mesmo 'plain, obscure and little'. Já Michael Fassbender, que apesar de charmoso não acho bonito (e é assim que imagino o Edward Rochester da obra original), faz um Mr Rochester perfeito, deixando transparecer nas feições a tortura e a amargura de um homem que se crê já perdido para o mundo e para a felicidade.

             

Não vi mais nenhuma adaptação de Jane Eyre, que me lembre. Em criança, consolei-me de ver filmes antigos com a minha mãe aos sábados e domingos à tarde (RTP1, claro) e é muito provável que tenha visto adaptações de alguns dos clássicos que hoje adoro. Sei que vi a versão com o William Hurt como Rochester há muito tempo atrás mas, nessa altura, ainda não conhecia a obra nem a sua autora; lembro-me, no entanto, que fiquei apaixonada pela história e recordei durante muito tempo aquele final debaixo de frondosas árvores. Actualmente, tenho as adaptações quase todas (falta-me a de 1936) de Jane Eyre e hoje, finalmente, lá me decidi a ver a de 1943 com o Orson Wells e a Joan Fontaine. Pois foram quase duas horas agradáveis, ao contrário do que tinha imaginado. Apesar da excessiva mas usual teatrialidade dos actores, principalmente do Orson Wells, vê-se muito bem. É uma pena, contudo, que a obra original tenha sido tremendamente adulterada. 

De acordo com a Wikipédia, esta versão é aclamada especialmente porque, apesar de ter sido filmada em estúdio, em Hollywwod, conseguiu recrear os Yorkshire Moors de Inglaterra e incluíu cenários com sombras e nevoeiros próprios da goticidade das obras bronteanas. No entanto, como já referi, é aniquilada uma grande parte da história e há situações que não estão de acordo com a trama original de Charlotte Bronte. Eu devia ter adivinhado isso quando me apercebi do Dr Rivers que visitava as meninas em Lowood porque não me lembro dessa personagem no livro; lembro-me sim do John St Rivers, o pároco que, juntamente com as suas duas irmãs, abrigou Jane depois de esta fugir de Thornfield Hall. Desta pequena alteração surgem outras, sendo que quando Jane foge, vai refugiar-se em casa da Tia Reed, procurando o colo de Bessie, a única empregada que a acarinhou na sua problemática infância em casa da tia. Portanto, não existe o tempo em que Jane vagueou perdida e sem tecto até ser acolhida pelos St Rivers; não existe o tio rico da Madeira que lhe deixa a sua fortuna, não existe o tempo em que Jane leccionou na sua própria escola, o pedido de casamento de John... Tudo isso foi suprimido desta adaptação.

No entanto, aquilo que mais desgostei nesta versão de 1943 foi definitivamente a interpretação de Orson Wells! O homem consegue tirar todo o encanto a Edward Rochester. E fico insegura quando vejo que o caracterizavam como "a magnificent figure of a man, over six feet tall, handsome, with flashing eyes and a gloriously resonant speaking-voice". Serei eu com os gostos trocados ou serão os tempos que são miraculosamente diferentes?! É que aquela 'resonant speaking voice' associada ao dramatismo exagerado do senhor, quase que me levava a deixar filme a meio. Joan Fountain definitivamente, e para mim, salvou o filme de se tornar um desastre. Ela e as outras personagens. Ah! Convém lembrar que uma Elizabeth Taylor muito jovem aparece aqui no papel de Helen Burns, a amiga de Jane na escola de Lowood, que vem a falecer, deixando a nossa heroína novamente desamparada e sem amigos. E temos ainda Adéle. Nunca gostei dela nas adaptações mais recentes, sempre melosa demais (como convém, eu sei). No entanto, esta tocou-me de maneira diferente. Gostei. Achei-a doce sem ser em excesso e bem mais controlada que as suas sucessoras mais recentes, tendo conseguido arrancar-me alguns sorrisos com a sua meiguice.

publicado por Sandra F. às 23:16

eu já vi muitas das adaptações deste livro que é um dos meus preferidos. Aqui fica uma opinião mt curta sobre cada um deles:
- adaptação de 1934, basicamente é para rir porque alteram bastante a história e aquilo consegue ser ainda mais teatral do que a versão de 1944. Serve apenas para vermos como em 10 anos o cinema evoluiu :) podes ver no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=XM9oycMhnKY

- 1944, foi a primeira que vi e talvez por isso tenho um carinho especial por ela, não é perfeita, está alterada, mas a Adele e a Helen Burns são para mim as melhores pois aproximam-se daquilo que está no livro

- 1983, não é má, o diálogo é fiel ao livro, é de todas as que vi, é a que melhor retrata a infância de Jane e é a favorita de muitos fãs.

- 1996, quanto a mim a versão que não devia ter sido feita! lol, achei-a péssima, falta-lhe emoção. qd o Rochester se declara parece algo caído do céu, o homem nunca tinha demonstrado que estava interessado ao contrário do livro e das outras versões!! lol

- 1997, uma versão simpática e quem apreciar o Ciran Hinds é capaz de gostar

- 2006, é minha preferida, adoro-a!! A Ruth Wilson e o Toby Stephens são perfeitos!

quanto à última tb gosto, mas a Mia não me convenceu talvez porque acho que ela tem um ar um bocado enjoado e não determinado como eu vejo na Jane. Gostei mais do Fassbender enquanto Rochester. A Judy Dench tb está mt bem enquanto Mrs. Fairfaix, mas tb é mulher nunca erra! lol

Existe uma versão musical que é mt boa, para quem aprecia o género, nunca vi, mas tenho em versão audio e acho-a fantástica.
Vera a 18 de Agosto de 2012 às 12:17

Vera

Isso dava um post! Podias fazê-lo. Opiniões sobre esta maravilhosa obra são sempre apreciadas. Por mim, pelo menos.

Fiquei confusa: 1943 ou 1944?? eu sempre vi 1943. Talvez tenha sido realizado em 43 e exibido apenas em 44...

Já vi que não aconselhas a versão de 1936. Mas vou ver na mesma :-) e ando 'desesperada' porque não consigo baixar a de 1983 :-(

Beijo

Sandra

No IMDB está 1943, mas acho que sempre vi 1944, mas eu nesta coisa de números não sou de fiar mt porque baralho-me um bocado lol


A versão de 1936 é mais peça de teatro e eu achei piada às alterações.

Eu tenho em dvd a versão de 1983 posso emprestar-te não tem é legendas em português, sõ inglês, mas julgo que não tenhas problemas com isso :)

O teu comentário deu-me uma ideia de fazer uma edição Jane Eyre e falar de todas as adaptações que já vi, só não sei se consigo falar de 1996 e 1997 porque pelo menos a primeira já não tenho algures no meu PC.~

Há mais adaptações feitas nos anos 60 e 70; tb sei de uma versão indiana e a primeira versão foi um filme mudo mas estas nunca vi.
Vera a 18 de Agosto de 2012 às 21:42

Seria agradável essa ideia.

Quanto ao teu dvd, estou a tentar baixar. deixa ver como saí desta vez. Senão, um dia destes emprestas-me o teu.

Sandra

Sandra F. a 18 de Agosto de 2012 às 22:19

Já vi algumas das adaptações mas estou a descobrir que há muitas mais, um destes dias tenho de tirar uma tarde a ver as que encontro...
Ana a 20 de Agosto de 2012 às 18:52

Ana

Será uma tarde bem passada, concerteza. E melhor ainda, quando as vires.

:-)
Sandra F. a 20 de Agosto de 2012 às 20:27

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