26
Dez 12

O ano de 2012 foi marcado pelo centenário do naufrágio do Titanic. Apesar de a história marítima ter, infelizmente, muitos naufrágios, este é um dos mais famosos. Talvez porque os media, chamavam ao Titanic o navio inafundável ou talvez o seu tamanho e luxo tenha mexido com a imaginação das pessoas que viviam naquela altura. Seja como for a sua popularidade é inquestionável e por isso mesmo a televisão e o cinema têm nos dado ao longo dos tempos séries e filmes que abordam o naufrágio do Titanic.

Um dos filmes mais famosos é aquele que foi realizado em 1997 por James Cameron. Já este ano a televisão, numa mega-produção que envolveu vários países deu-nos uma mini-série de quatro episódios.

A importância do naufrágio é tanta que vai aparecendo em algumas séries ou filmes, embora nunca nos mostrem o naufrágio propriamente dito. Quem não se lembra do inicio de Downton Abbey e na morte do herdeiro que viajava a bordo deste navio. Um acontecimento que marca o inicio da série e traz consequencias para a família.

 

Titanic Blood and Steel traz ao espectador uma perspectiva diferente. Esta série foca-se na construção do navio e não no seu triste fim.

Durante 12 episódios vemos como Belfast era uma cidade onde as fortes divisões religiosas criavam conflitos entres os trabalhadores. Estas divisões eram tão fortes que criar um sindicato para os trabalhadores foi uma tarefa quase impossível. O espetador é convidado a ver como os trabalhadores lutavam por melhores condições e como isso punha em risco, os prazos do construção do Titanic.

É impossível dizer quais as personagens ( com algumas excepções) que são ficção e quais as que são baseadas em pessoas reais. Tentei ver na Wikipédia, mas não vi nada que me elucidasse. Da mesma forma que não sei até que ponto as situações retratadas referentes à construção do navio são verdadeiras ou ficcionadas.

 

Pessoalmente não foi uma série que me tivesse despertado á minha atenção, fui vendo, mais pela curiosidade de saber o que acontecia a seguir do que pelo interesse que a mesma me despertou. Posso dizer que nenhuma dos personagens me encheu as medidas e o que gostei mais foi mesmo a parte histórica referente a greves e lutas politicas que marcaram Belfast naquela época.

Para terminar, o fim foi muito pobre e do meu ponto de vista mal construido. Nos últimos episodios, percebemos que grande parte do elenco, por um motivo ou outro vai embarcar no Titanic. Não esperava que a série mostrasse o naufrágio mas achei uma falha não dizerem ao espectador quem viveu e quem morreu. É possível que tenha sido assim para fazerem uma segunda série, mas o espectador que investe 12 horas do seu tempo a ver uma série, merece sempre uma conclusão.

 

 

 

publicado por Vera às 10:38

23
Dez 12

E se alguém entrasse numa livraria e quisesse falar com Charlotte Brontë porque não gostou de Jane Eyre?

 

publicado por Vera às 13:00

16
Dez 12

                                                          

(esta imagem foi tirada na net)

 

Esta é uma série espanhola que a imprensa apelida como a Downton Abbey espanhola. No entanto, as semelhanças entre esta série e Downton Abbey são quase inexistentes. Ambas têm lugar mais ou menos no mesmo ano, Downton Abbey começa em 1912, com o naufrágio do Titanic e o Gran Hotel em 1905, os últimos episódios tem lugar em 1906.
Se os espanhóis escolheram este ano porque significa alguma coisa em termos históricos ou para se afastarem da série inglesa não sei dizer.

 

O Gran Hotel é o lugar de lazer para os ricos e é propriedade da familia Alarcón. Com a morte do marido ( algo que acontece antes da série começar) D. Teresa toma as rédeas do hotel com a ajuda de Diego que é nomeado director do hotel. D. Teresa é uma mulher fria e calculista e por isso mesmo não hesita em propor à sua filha Alicia que se case com Diego para que tudo fique em família, o próprio Diego, não sendo apaixonado por Alicia, é um homem ambicioso que não se importa com ninguém a não ser ele próprio.

Alicia volta ao Gran Hotel após uma temporada em Madrid. O pai queria que ela estudasse para um dia puder ser ela a dirigir o Gran Hotel, mas a morte do pai, troca as voltas à sua ambição e ela acaba em Madrid a aprender como ser uma boa esposa e dona de casa.

Sofia, é a outra filha de D. Teresa. Ela está grávida do seu primeiro filho e teme que se a gravidez não for a bom porto o marido, Alfredo a deixe ficar. Como futuro Marquês é importante que Alfredo tenha um herdeiro. Sofia sofre ainda algum desprezo por parte da sogra por ser de família de comerciantes e não ter sangue nobre. Uma das ambições do casal é que Alfredo se torne director do Hotel.

A familia Alarcón fica completa com Xavier que sendo o único varão seria o mais indicado para assumir o comando do hotel, mas felizmente ou infelizmente ele é o típico mulherengo e bon vivant; algumas das suas aventuras acabam por render alguns risos ao longo da série.

 

O hotel tem um exército de criados que são comandados pela governanta Ursula, há muitos anos ao serviço do hotel e que consegue ser tão fria como D. Teresa. Algo que contrasta com a doçura e bom coração que o seu filho Andrés tem. Para desgosto da mãe ele é apaixonado por Bélen, uma criada ambiciosa. Os outros criados que vão aparecendo ao longo da série vão tendo uma importância pontual para a história, mas nunca se tornam personagens importantes.

 

É a este cenário que chega Julio, ele vem à procura da sua irmã Cristina. Há cerca de um mês que ela não escreve à família, ela que era muito regular nas suas cartas.

Julio não acredita quando Andres lhe conta que Cristina foi acusada de roubo e foi despedida e decide investigar. Ao ser confundido com um novo camareiro, ele aproveita este facto para se infiltrar no Hotel.

Julio acaba por ser descoberto por Alicia. Entre os dois surge uma forte atracção e é apenas nesta relação que vejo uma semelhança com a relação entre Sybill e Branson em Downton Abbey.

 

Como espectadora de séries de época é sempre bom ver outras séries que não sejam inglesas ou americanas. Primeiro porque permite alargar os horizontes e conhecermos melhor a história de um país ou mesmo os seus livros mais emblemáticos.

Contudo não estou muito contente com esta série e passo a explicar porquê. Eu sempre gostei, desde muito pequena, de séries de época e uma das coisas que me fascinou nas mesmas são precisamente os dramas que as pessoas viviam naquela época. Dramas que hoje já não fazem sentido ou que a acontecerem nos nossos dias já não têm o mesmo impacto que teriam naquela época.

Gran Hotel foca-se muito na descoberta do que aconteceu à Cristina, acabando por ter uma forte componente policial. Eu não sou leitora de policiais, mas até gosto de ver séries onde se investigam crimes ou têm mistérios que me façam estar colada ao ecrã, mas não é isso que procuro numa série de época.

Gran Hotel perde também em alguns aspectos, o primeiro e mais importante é vermos as personagens com atitudes que pessoas daquela época não teriam; por exemplo, num dos episódios, um diz ao outro: não toques nisso, vamos chamar a policia e eles tiram as impressões digitais. Já existiriam impressões digitais, mas como estavam ainda pouco divulgadas, dificilmente alguém se lembraria disso. Noutra situação vêm um vídeo, passando para trás e para a frente até verem algo suspeito. Mais uma vez naquela altura, as pessoas mal sabiam o que era o cinema, quanto mais ver um filme até descobrir alguma coisa.

Outro ponto negativo é que a série assenta muito na fórmula de personagens, à moda de telenovela, ou seja, uns são muito bons e outros são muito maus.

Estes aspectos que referi aliados ainda a uma facilidade em descobrir mais rapidamente do que seria normal acabam por tirar à série aquela beleza especial que as séries de época costumam ter.

 Não se podem apontar falhas a nível de guarda-roupa, cenários e até mesmo a prestação dos actores, contudo eu não tenho a certeza se irei voltar a ver.

Para quem quiser ver e souber um pouco de espanhol, mesmo que seja muito básico, não terá dificuldades em encontrar a série na net.

Ao todo são duas temporadas, com oito episódios e a nova começa para Fevereiro.

Para terminar um pequeno trailer.

 

 

publicado por Vera às 12:02

07
Dez 12

Desde os tempos que inventaram o cinema e mais tarde a televisão, que os livros têm vindo a ser adaptados para estes dois meios. Quase todos os livros acabam um dia no grande ou pequeno ecrã, principalmente aqueles que são populares como Jane Eyre. Apesar dos ingleses terem um mundo teatral bastante activo, são muito raras as peças de teatro que adaptam livros clássicos, talvez por existirem muitas peças de teatro para serem levadas ao palco deixe de lado estas produções ou talvez seja o excesso de adaptações quer para cinema quer para televisão.

 Há ainda alguns que tem a ousadia e a coragem de agarrar um livro e torná-lo um musical. Se não é fácil dar imagens às palavras deve ser ainda mais difícil dar-lhes música. Mas isso não tem impedido muitos de tentarem os resultados, dos que conheço, são bastantes bons.

 

Um dia no longínquo ano de 1995, Paul Gordon e John Caird começaram a trabalhar naquilo que seria um musical feito a partir da obra imortal de Charlotte Brontë. Começou como uma coisa pequena em Toronto ( quem vê Smash, sabe que não é fácil fazer um musical) e chegou à Broadway.

Pelo caminho algumas coisas foram mudando, como não podia deixar de ser.

Ao contrário de outros musicais que fazem furor no palco e vão para o grande ecrã Jane Eyre continuou apenas em palco. Teve no entanto, boas reviews e os japoneses não resistiram a levá-la para os seus palcos.

Se quiserem saber mais, por favor, vejam a página da Wikipédia: Jane Eyre, the Musical

 

Eu adoro musicais e ter tido a possibilidade, ainda que seja só de ouvir, um musical inspirado num livro que adoro, foi uma experiencia fascinante. Durante dias, ouvi pouco mais que as músicas num constante repeat.

 

As vozes de Marla Schaffel e James Barbour, que interpretam a Jane e o Rochester, são fabulosas. Tenho pena que este musical não tenha chegado aos ecrãs, mas ainda bem que não chegou porque de certeza que iam escolher actores que não sabem cantar e iam estragar o excelente trabalho dos actores de palco.

 

Se quiserem ouvir, vejam este video, o primeiro de vários que apesar de manhosos dá uma ideia do musical. O único senão destes videos é faltar a parte da infância de Jane.

 

 

 Marla Schaffel e James Barbour. Crédito da foto: Playbill

 

publicado por Vera às 13:07

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