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Dez 12

                                                          

(esta imagem foi tirada na net)

 

Esta é uma série espanhola que a imprensa apelida como a Downton Abbey espanhola. No entanto, as semelhanças entre esta série e Downton Abbey são quase inexistentes. Ambas têm lugar mais ou menos no mesmo ano, Downton Abbey começa em 1912, com o naufrágio do Titanic e o Gran Hotel em 1905, os últimos episódios tem lugar em 1906.
Se os espanhóis escolheram este ano porque significa alguma coisa em termos históricos ou para se afastarem da série inglesa não sei dizer.

 

O Gran Hotel é o lugar de lazer para os ricos e é propriedade da familia Alarcón. Com a morte do marido ( algo que acontece antes da série começar) D. Teresa toma as rédeas do hotel com a ajuda de Diego que é nomeado director do hotel. D. Teresa é uma mulher fria e calculista e por isso mesmo não hesita em propor à sua filha Alicia que se case com Diego para que tudo fique em família, o próprio Diego, não sendo apaixonado por Alicia, é um homem ambicioso que não se importa com ninguém a não ser ele próprio.

Alicia volta ao Gran Hotel após uma temporada em Madrid. O pai queria que ela estudasse para um dia puder ser ela a dirigir o Gran Hotel, mas a morte do pai, troca as voltas à sua ambição e ela acaba em Madrid a aprender como ser uma boa esposa e dona de casa.

Sofia, é a outra filha de D. Teresa. Ela está grávida do seu primeiro filho e teme que se a gravidez não for a bom porto o marido, Alfredo a deixe ficar. Como futuro Marquês é importante que Alfredo tenha um herdeiro. Sofia sofre ainda algum desprezo por parte da sogra por ser de família de comerciantes e não ter sangue nobre. Uma das ambições do casal é que Alfredo se torne director do Hotel.

A familia Alarcón fica completa com Xavier que sendo o único varão seria o mais indicado para assumir o comando do hotel, mas felizmente ou infelizmente ele é o típico mulherengo e bon vivant; algumas das suas aventuras acabam por render alguns risos ao longo da série.

 

O hotel tem um exército de criados que são comandados pela governanta Ursula, há muitos anos ao serviço do hotel e que consegue ser tão fria como D. Teresa. Algo que contrasta com a doçura e bom coração que o seu filho Andrés tem. Para desgosto da mãe ele é apaixonado por Bélen, uma criada ambiciosa. Os outros criados que vão aparecendo ao longo da série vão tendo uma importância pontual para a história, mas nunca se tornam personagens importantes.

 

É a este cenário que chega Julio, ele vem à procura da sua irmã Cristina. Há cerca de um mês que ela não escreve à família, ela que era muito regular nas suas cartas.

Julio não acredita quando Andres lhe conta que Cristina foi acusada de roubo e foi despedida e decide investigar. Ao ser confundido com um novo camareiro, ele aproveita este facto para se infiltrar no Hotel.

Julio acaba por ser descoberto por Alicia. Entre os dois surge uma forte atracção e é apenas nesta relação que vejo uma semelhança com a relação entre Sybill e Branson em Downton Abbey.

 

Como espectadora de séries de época é sempre bom ver outras séries que não sejam inglesas ou americanas. Primeiro porque permite alargar os horizontes e conhecermos melhor a história de um país ou mesmo os seus livros mais emblemáticos.

Contudo não estou muito contente com esta série e passo a explicar porquê. Eu sempre gostei, desde muito pequena, de séries de época e uma das coisas que me fascinou nas mesmas são precisamente os dramas que as pessoas viviam naquela época. Dramas que hoje já não fazem sentido ou que a acontecerem nos nossos dias já não têm o mesmo impacto que teriam naquela época.

Gran Hotel foca-se muito na descoberta do que aconteceu à Cristina, acabando por ter uma forte componente policial. Eu não sou leitora de policiais, mas até gosto de ver séries onde se investigam crimes ou têm mistérios que me façam estar colada ao ecrã, mas não é isso que procuro numa série de época.

Gran Hotel perde também em alguns aspectos, o primeiro e mais importante é vermos as personagens com atitudes que pessoas daquela época não teriam; por exemplo, num dos episódios, um diz ao outro: não toques nisso, vamos chamar a policia e eles tiram as impressões digitais. Já existiriam impressões digitais, mas como estavam ainda pouco divulgadas, dificilmente alguém se lembraria disso. Noutra situação vêm um vídeo, passando para trás e para a frente até verem algo suspeito. Mais uma vez naquela altura, as pessoas mal sabiam o que era o cinema, quanto mais ver um filme até descobrir alguma coisa.

Outro ponto negativo é que a série assenta muito na fórmula de personagens, à moda de telenovela, ou seja, uns são muito bons e outros são muito maus.

Estes aspectos que referi aliados ainda a uma facilidade em descobrir mais rapidamente do que seria normal acabam por tirar à série aquela beleza especial que as séries de época costumam ter.

 Não se podem apontar falhas a nível de guarda-roupa, cenários e até mesmo a prestação dos actores, contudo eu não tenho a certeza se irei voltar a ver.

Para quem quiser ver e souber um pouco de espanhol, mesmo que seja muito básico, não terá dificuldades em encontrar a série na net.

Ao todo são duas temporadas, com oito episódios e a nova começa para Fevereiro.

Para terminar um pequeno trailer.

 

 

publicado por Vera às 12:02

Parece interessante, Vera!
No entanto, ao ouvir em espanhol não consigo deixar de pensar em novelas.... eheheh...
Sandra F. a 16 de Dezembro de 2012 às 17:37

Sandra, isso é trauma das novelas mexicanas que em tempos abundaram o nosso ecrã! LOL
se não fossem as modernidades em certos momentos e a forma como os personagens estão construidos podia ser mt melhor, o mistério que rodeia o desaparecimento da Cristina está bem delineado e prende!
Vera a 16 de Dezembro de 2012 às 18:00

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