23
Jan 15

A série The Paradise da qual falei aqui no blogue há uns tempos ( podem ler aqui) foi uma das séries que mais gostei nos últimos anos.

A minha paixão pela série é tanta que desde que a mesma começou no inicio deste mês a ser exibida na RTP2 aos domingos à noite que eu faço por não perder um episodio. Este post não é sobre a série mas sim sobre o livro que inspirou a mesma.

Como adorei a série as minhas expectativas para o livro eram altas. À medida que fui lendo essas mesmas expectativas não foram defraudadas.

Zola descreve na perfeição o grande armazém de venda dos mais variados artigos e como este vai crescendo e devorando a concorrência que no fundo sabemos que não pode concorrer com os grandes. E se Zola descreve bem cada secção também nos dá a conhecer os seus empregados, uns mais que outros.

No centro da narrativa está Denise, uma jovem da província que espera ganhar a vida em Paris, contudo a tarefa não é fácil e até chegar ao fim ela terá de ultrapassar inúmeros obstáculos. Sempre atento a tudo o que se passa no Paraíso está Mouret que nutre desde o inicio um carinho especial por Denise.

Quem viu a série e ler o livro irá encontrar inúmeras diferenças entre os dois. Embora os acontecimentos sejam mais ou menos os mesmos, as personagens tem personalidades ligeiramente diferentes, o que proporciona uma dinâmica de relações também ela diferente do que vemos na série.

Quem nunca viu a série e gosta de clássicos tem aqui uma boa leitura.

 

 

publicado por Vera às 12:26

13
Ago 14

Falar sobre E Tudo o Ventou Levou é falar sobre um dos grandes clássicos da literatura mundial. Quando pensamos neste livro, a maioria pensa no filme de 1939, protagonizado por Vivien Leigh e por Clark Gable e imediatamente associa o livro e o filme à história de amor entre os dois. Uma história atribulada, plena de emoção, cheia de altos e baixos e onde o melhor e o pior de ambos vem ao de cima. Contudo E Tudo o Vento Levou é muito mais do que isso, se fosse só a historia de amor entre dois grandes personagens não teria chegado ao estatuto de clássico. Possivelmente, o filme era hoje um entre muitos que as pessoas sabem que se fizeram mas nunca faria parte do currículo dos actores envolvidos.

 

A história é uma historia do velho Sul da América, onde o tempo passava devagar, onde os ricos eram muito ricos e os pobres eram quase inexistentes. As grandes plantações de algodão dominavam o horizonte. O Sul era uma comunidade fechada, onde as regras eram para ser cumpridas. As mães educavam as filhas para o casamento e os filhos para dirigirem a plantação. No fundo, bem vistas as coisas era um sistema.

O livro é rico em detalhes sobre a vida sulista, os costumes e tradições são explicados e muitas vezes criticados.

Quando o livro começa conhecemos Scarlett O'Hara, uma beldade do sul, com apenas dezasseis anos, ela só pensa em ir a bailes, ter muitos pretendentes e conquistar Ashley Wilkes. Todos os seus planos de conquistá-lo, talvez surtissem efeito se não fosse pelo facto de ele estar comprometido com Melanie, a sua prima e claro que o começar da Guerra Civil também impede Scarlett de conquistar o seu amor.

Este podia ser o resumo resumido de um qualquer livro da Harlequin. Mas não é. Mitchell através da sua escrita e dos personagens que criou dá-nos um fresco do sul, antes, durante e depois da Guerra, percebemos o quão sangrenta e devastadora esta guerra foi e como marcou a vida dos sulistas.

Os Sulistas são diferentes dos Nortistas pois parecem viver agarrados a um passado aristocrata e que rapidamente perde importância durante a guerra e depois dela. Os ensinamentos dos pais de pouco servem num mundo selvagem que se torna o sul no pós guerra.

 

Um livro até pode ter uma boa história mas nada é sem personagens minimamente cativantes, e todas as personagens deste livro o são, umas mais que outras. Melanie, o poço infinito de bondade, Ashley o cavalheiro mais cavalheiro do mundo, as velhas maldosas e cheias de fel, a Tia Pitty com os seus chiliques, Babá, sempre dividida entre o dever, o que é correcto e o seu afecto por Scarlett, Rhett, um bom sacana com bom coração e Scarlett.

Sobre Scarlett podia escrever uma dissertação, ela consegue despertar o ódio em mim, consegue também despertar uma imensa admiração pela sua coragem e determinação e por nunca se dar por vencida.

E tudo o vento levou é sem dúvida um dos meus livros preferidos, já o tinha lido há alguns anos e isto foi uma releitura. Mas o meu entusiasmo foi igual, as dúvidas, as incertezas, as angustias que sempre acompanham uma primeira leitura estavam lá. Por isso aconselho este livro a todos. Se já viram o filme, vão com certeza descobrir uma história mais rica, com mais detalhes. Se nunca viram ou leram preparem-se para ser arrebatados.

 

publicado por Vera às 09:23

21
Nov 13

Este filme adapta o livro de Donna Woolfook Cross, publicado pela Editorial Presença. Alguns historiadores afirmam ser uma lenda outros acreditam que há veracidade na história. O que é certo é que ao longo da história existiram mulheres que viveram como homens. O mundo era feito para os homens e pelos homens. Isto não significa que não tenham havido mulheres poderosas, assim de repente lembro-me de Cleopatra, mas ela e outras eram a excepção e não a regra.

Nos tempos medievais em que Joahnna viveu a escola era vedada às meninas. Além disso apenas os monges tinham escolas para educar. Só mais tarde é que viriam as escolas laicas.

Joahnna aprende a ler e a escrever com a ajuda do irmão e isso é só o inicio de uma jornada até se tornar papa. Uma jornada cheia de obstáculos que Joahnna consegue ultrapassar.

Mito ou verdade, este é sem dúvida um grande filme que nos mostra que devemos acreditar e lutar por aquilo que queremos. Para nós mulheres lembra-nos o quanto éramos consideradas um mero adereço nos tempos mais remotos.

 

Aqui fica o trailer:

 

publicado por Vera às 10:05

27
Out 13

Menos conhecidos e lidos estes livros são também na minha opinião obras inferiores ao famoso Jane Eyre.

 

Não quero com isto dizer que não tenha gostado, apenas que não os achei tão bons como Jane Eyre. De um ponto de vista mais literário é uma situação curiosa já que uma boa parte dos escritores só dá ao mundo uma obra-prima quando já escreveu alguns livros. Claro que isto não é uma ciência e muitos conseguem manter o mesmo nível, outros melhoram e outros regridem.

Mas mesmo não sendo tão bons não estamos perante livros intragaveis ou cuja leitura eu não recomendo.

Começando por Vilette, Charlotte Brontë apresenta-nos mais uma vez uma heroína órfã, sem recursos financeiros que a vida e talvez a coragem empurra para uma cidade estrangeira fictícia chamada Vilette. Sozinha no mundo Lucy Snow tem de enfrentar as mais diversas adversidades.

Fala-se muito do suposto carácter biográfico de Jane Eyre mas eu achei este livro mais biográfico. A solidão da personagem, a sua condição de estrangeira, a sua religião protestante num país católico, a vida de professora. Na minha interpretação dos factos biográficos penso que Monseiur Paul, o herói do livro, terá sido inspirado no professor por quem Charlotte teve uma grande paixão. Esta personagem criou em mim algumas contradições por um lado não acho uma personagem fácil de se gostar e por outro acho que se o verdadeiro professor for mesmo como ele não percebo o que ela via nele. Monseiur Paul não é mau no sentido de fazer maldades ao longo do livro, mas tem uma personalidade deveras dificil.

 

A verdade é que este livro é bem mais complexo do que Shirley que me fez lembrar um pouco os romances que todos gostamos de ler mas aos quais falta sempre profundidade. Talvez Charlotte precisasse de escrever algo mais leve. Mas desenganem-se e não pensem que este é o típico romance cor de rosa.

Em Shirley temos duas protagonistas diferentes entre si e diferentes na sua maneira de ver o mundo e lidar com ele. Shirley é uma mulher rica que dirige os seus negócios e Caroline a sobrinha do pastor da paróquia, que foi educada por ele. Apesar de diferentes elas reconhecem uma na noutra certas características que as distinguem das outras mulheres e as aproximam.

O livro fala ainda do problema das máquinas começarem a roubar postos de trabalho e a revolta dos trabalhadores contra estas mesmas máquinas. Encontramos em Robert Moore, dono de uma fábrica, um homem preocupado com os seus negócios e com os trabalhadores que se vê obrigado a dispensar.

Os problemas de Robert Moore e a sua relação com Caroline fazem lembrar North and South de Elizabeth Gaskell. Não sei se Elizabeth Gaskell não terá se inspirado neste livro da sua amiga Charlotte para escrever o seu livro.

 

Para terminar gostaria de acrescentar que ambos os livros têm algumas coincidências rebuscadas que parecem ser um dos atributos da escrita de Charlotte Brontë. Apesar das coincidências acontecerem na vida real, algumas delas são um fardo para a narrativa e se não existissem só beneficiavam a história.

Charlotte Brontë parece ter só conseguido fazer um grande livro, mas é inegavelmente uma escritora dotada, que dá ao leitor diálogos poderosos, situações complicadas que parecem não ter solução e muitas horas de boa leitura.  

publicado por Vera às 14:14

06
Jun 13

Este livro sempre fez parte da lista de clássicos da Literatura que quero ler. Tive o livro várias vezes na mão em livrarias, mas acabei sempre por não o comprar. Só recentemente é que o fiz e não demorei muito a lê-lo.

 

Julgo que todos conhecem a história de Dorian Gray, mesmo que nunca tenham lido o livro ou visto a adaptação de 2009, um filme que não faz qualquer justiça ao livro. A ideia é demasiado fascinante para ficar escondida nas páginas do livro. Dorian Gray tem um retrato seu pintado pelo seu amigo Basil, um dia num misto de horror e alegria Dorian descobre que o retrato está a mudar. Ao contrário daquilo que eu pensava o retrato não envelhece apenas, ele também vai mudando as expressões afáveis e jovens para outras mais duras e cruéis.

 

Dorian é apresentado como sendo um jovem muito bonito, um verdadeiro Adónis, a sua beleza é, de certa forma, cobiçada por Lorde Henry. Dorian e Lorde Henry conhecem-se através de Basil no momento em que este termina o retrato de Dorian. Lorde Henry, com o seu discurso, acaba por corromper Dorian que começa a considerar, a beleza e a eterna juventude como o mais importante da vida.

Ao ver o quadro um dia, após alguns acontecimentos importantes, Dorian percebe que os seus actos estão reflectidos no retrato.

Na minha opinião, o retrato acaba por funcionar como um espelho onde as acções de Dorian se reflectem e como a voz da consciência. Livre das restrições, Dorian acaba por poder fazer aquilo que bem entende, sem culpa, sem dúvidas ou remorsos.

 

Inicialmente esta leitura custou-me. Primeiro porque sendo eu uma leitora fervorosa de clássicos não estou habituada a que estes tenham páginas e páginas de diálogos. Mas não é nada que não me tenha habituado e como todos sabem Oscar Wilde era essencialmente um dramaturgo, este foi o seu único romance, por isso é natural que tenha muitos diálogos.

A escrita de Wilde é simplesmente maravilhosa, contudo inicialmente também me causava um pouco de confusão. Wilde usa e abusa da ironia, mas ao contrário da Jane Austen que a usa para fazer humor, Wilde é bastante cínico. No entanto aquilo que diz dá que pensar e não é a toa que o escritor é dos mais citados por essa internet fora.

 

O retrato de Dorian Gray não é um livro que agradará a todos os leitores, mas aqueles que gostem de temas como a juventude eterna, a corrupção de alguém, os caminhos errados que se percorrem na busca pela felicidade irão com certeza de gostar deste livro. Dorian Gray não é um personagem atormentado que procura a redenção como outros personagens parece antes não querer voltar ao caminho do bem e isso também o torna interessante aos olhos do leitor.

 

publicado por Vera às 13:01

30
Mai 13

Foi com algum receio que comecei a leitura deste livro. Já tinha visto uma das adaptações ( a do Ralph Fiennes e da Juliette Binoche) e até tinha gostado, mas já se sabe que as adaptações raramente fazem justiça aos livros e no caso deste livro é dificil isso acontecer dada a sua complexidade.

As opiniões sobre o único livro que Emily Brontë escreveu dividem-se por um lado há quem ame e por outro há quem odeie.

Felizmente fiquei a pertencer ao grupo dos que amou e até percebo quem não tenha gostado. Em primeiro lugar fala-se muito do amor entre Heathcliff e Cathy e o leitor acaba por não encontrar um livro só sobre isso e imaginando ser um livro mais romântico como é Jane Eyre escrito pela irmã de Emily, Charlotte a desilusão acontece.

 

O romance está lá, mas é da criação dos personagens e nas suas motivações e atitudes que Emily Brontë joga as suas melhores cartas. O livro é bastante denso a nível psicologico, abordando temas bastante complexos como a violência doméstica ou o bullying. Na minha opinião é nos personagens e na sua complexidade que o livro ganha os seus pontos e como sou apreciadora disso, a história cativou-me. A cada um deles poderia ser objecto de estudo de um psiquiatra ou psicologo, a começar por Heathcliff e o eterno debate: será a sua maldade fruto das circunstâncias ou algo que nasceu com ele?

 

Emily parece ser uma grande conhecedora da natureza humana, o que impressiona o leitor, já que pouco ou nada viu do mundo e a sua vida foi curta e foi ainda jovem que escreveu este livro. Talvez por ser um pouco uma eremita ( segundo dizem os entendidos na sua vida) é que ela percebia tão bem os outros e os via de uma forma que passou brilhantemente para o papel.

 

Este foi o único livro que escreveu, embora com os irmãos tenha inventado histórias que os mantinha entretidos. Alguns academicos acreditam que ela tinha começado um segundo livro, mas a após a sua morte o livro foi queimado. A recepção ao Monte não foi muito boa e só a custo foi conquistando o seu lugar ao contrário de Jane Eyre que foi um êxito imediato.

 

Do livro, fica a história de Heathcliff, um rapaz orfão que é adoptado pela familia Earnshaw e que enfrenta ao chegar todas as dificuldades que alguém no seu lugar encontra ao ser adoptado. De notar que antigamente as pessoas eram, em geral, bastante más e desagradaveis para com os orfãos. Possivelmente porque os orfãos eram filhos ilegitimos ou pelo menos uma boa parte era.

Mas não é só de Heathcliff que é feito este livro, temos também Catherine Ernshaw ou Cathy que se confunde com a sua filha que tem o seu nome, Hindley, o irmão de Cathy e herdeiro do Monte dos Vendavais e a familia Linton que vive na vizinha Herdade dos Tordos. Há também Nelly, a fiel empregada que conta ao Sr. Lockwood e ao leitor a história das pessoas que vivem no Monte dos Vendavais.

 

 

 

publicado por Vera às 12:36

08
Fev 13

 

A década de 90 do século passado deu-nos duas adaptações de Jane Eyre. Uma foi feita em 1996 e a outra em 1997, é precisamente sobre a última que vou falar.

 

Esta versão foi feita para televisão, mais precisamente para a ITV e ao contrário de versões anteriores ou posteriores não foi uma mini-série mas sim um telefilme. A primeira sensação que fica após ver esta adaptação é que a mesma foi apressada. Jane passa de Gateshead para Lowood e de Lowood para Thornfield com uma rapidez impressionante.

A parte da infância é muito apressada, mas mesmo assim achei a cena passada no quarto vermelho bastante boa. Ao contrário de outras adaptações esta parece esquecer o elemento gótico e até mesmo sombrio que outras têm. Nas adaptações de 2006 e 2011, quando Jane chega a Thornfield Hall é quase noite. Nestas adaptações os cenários nocturnos aquando da chegada dela dão ao espectador uma certa inquietação, um certo medo, isso não acontece nesta adaptação e Jane chega em plena luz do dia.

 

Outro aspecto importante é que Rochester mostra-se muito amistoso com Adele e a personagem foi bastante mais suavizada. Rochester não é cruel ou frio, mas é um pouco brusco na forma de falar. Há quem diga que este Rochester, interpretado pelo Ciran Hinds grita muito, eu não achei isso, mas achei que por força de ter sido suavizado acabou por se expressar em algumas vezes de uma forma que parece uma criança a gritar por um brinquedo. Uma cena que demonstra isso é após o casamento falhado, quando Jane o abandona.

 

Samantha Morton é uma boa Jane, mas como a todas as outras parecer faltar-lhe algo, também ela me parece mais doce e menos decidida. Nesta adaptação Mrs. Fairfax foi um pouco esquecida e apenas parece encher o ecrã. Química, esse elemento tão importante existe entre os protagonistas, mas não é uma química palpavel e que se sinta no ar.

 

De um modo geral, esta é uma boa adaptação e da qual eu gosto. Achei alguns momentos particularmente bem feitos e dentro dos possíveis fieis ao livro.

Quem quiser ver pode fazê-lo no youtube. Esta adaptação também se encontra à venda na Fnac.

 

 

 

publicado por Vera às 12:45

04
Fev 13

Na televisão portuguesa passam poucas séries de época, a produção nacional neste campo é também bastante escassa. Recentemente a RTP1 começou a exibir Depois do Adeus.

A série acompanha uma familia que regressa de Angola após o 25 de Abril, emitida aos sábados pela RTP1, pelas 21h, esta é uma excelente série sobre uma época da nossa história pouco falada/abordada.

Podem ver os episódios já emitidos e fica a conhecer melhor o universo de Depois do Adeus aqui. 

 

 

publicado por Vera às 11:32

02
Jan 13

crédito da foto: Period Films & C.

 

 

Nada melhor para o primeiro post de 2013 do que a série de época que mais gostei em 2012.

The Paradise distingue-se de outras séries feitas pela BBC ou ITV em dois aspectos. Quem vê este tipo de séries sabe que os ingleses adaptam sempre os grandes clássicos da literatura inglesa, autores mais desconhecidos como Elizabeth Gaskell. Algumas séries como Downton Abbey são argumentos originais e outras como The Crimson Petal and the White adaptam romances históricos escritos nos nossos dias.

São raras as vezes que se adaptam livros de outros países e por isso mesmo The Paradise distingue-se porque adapta um livro de Émile Zola, escritor francês.

E a outra grande distinção está em Denise, a protagonista da série, na ficção inglesa não são comuns as mulheres trabalhadoras; é mais comum encontrarmos as meninas de sociedade à espera de fazer um bom casamento.

 

Com a Revolução Indutrial deu-se um aumento da produção e consequentemente um maior consumo de bens, e naturalmente o comércio começou a prosperar. Isto abriu portas às mulheres que até aí poucos oportunidades de empregos tinham.

Em 1875, Denise vem da sua aldeia para a cidade ( nunca nos dizem que é Londres, por isso assumo que talvez não seja) para trabalhar na loja do tio; contudo a pouca clientela que tem não permite ao tio de Denise dar-lhe um emprego e por isso mesmo ela começa a trabalhar no The Paradise.

É por esta altura que o comércio sofre uma reviravolta e as pequenas lojas que vendem cada uma a sua mercadoria vêem-se ameaçadas por lojas como o The Paradise que tinham tudo, desde o tecido para fazer um vestido novo, aos botões para esse mesmo vestido passando pelas rendas com que se iriam adorná-lo, a preços mais baratos.

Denise rapidamente dá nas vistas. Ela parece ser talhada para o negócio e a sua mente fervilha com ideias que ajudam a aumentar as vendas.

Ela acaba por criar alguma inimizade por parte de alguns colegas, mas é vista como uma mais valia por Moray, o dono da loja.

Moray é viúvo e parece indeciso sobre um possivel compromisso com Miss Glendenning, a filha de um banqueiro. O casamento permitiria a Moray comprar as lojas à volta da sua e deste modo aumentá-la e livrar-se de algumas dívidas.

Outra personagem que merece o meu destaque é a Miss Audrey, a chefe do departamento de roupa de senhora e mulher na casa dos quarenta. Ela simboliza as mulheres que nesta altura começavam a ficar solteiras, não por falta de pretendentes, mas sim como opção em prol da carreira. Miss Audrey, em alguns momentos pensa se terá sido correcto fazer isso.

 

The Paradise é uma série que começa lenta e vai-nos conquistando pelos seus personagens, pelas suas histórias de vida e pelas relações que se vão establecendo entre eles.

Pessoalmente gostei da série desde o inicio, contudo penso que ela só conquistará alguns a partir do seu terceiro ou quarto episódio quando intriga começa a adensar-se. O último episódio foi dos mais emocionantes e aquele que mais vezes pensei que iria acontecer uma coisa e aconteceu outra.

 

 

 

publicado por Vera às 14:45

26
Dez 12

O ano de 2012 foi marcado pelo centenário do naufrágio do Titanic. Apesar de a história marítima ter, infelizmente, muitos naufrágios, este é um dos mais famosos. Talvez porque os media, chamavam ao Titanic o navio inafundável ou talvez o seu tamanho e luxo tenha mexido com a imaginação das pessoas que viviam naquela altura. Seja como for a sua popularidade é inquestionável e por isso mesmo a televisão e o cinema têm nos dado ao longo dos tempos séries e filmes que abordam o naufrágio do Titanic.

Um dos filmes mais famosos é aquele que foi realizado em 1997 por James Cameron. Já este ano a televisão, numa mega-produção que envolveu vários países deu-nos uma mini-série de quatro episódios.

A importância do naufrágio é tanta que vai aparecendo em algumas séries ou filmes, embora nunca nos mostrem o naufrágio propriamente dito. Quem não se lembra do inicio de Downton Abbey e na morte do herdeiro que viajava a bordo deste navio. Um acontecimento que marca o inicio da série e traz consequencias para a família.

 

Titanic Blood and Steel traz ao espectador uma perspectiva diferente. Esta série foca-se na construção do navio e não no seu triste fim.

Durante 12 episódios vemos como Belfast era uma cidade onde as fortes divisões religiosas criavam conflitos entres os trabalhadores. Estas divisões eram tão fortes que criar um sindicato para os trabalhadores foi uma tarefa quase impossível. O espetador é convidado a ver como os trabalhadores lutavam por melhores condições e como isso punha em risco, os prazos do construção do Titanic.

É impossível dizer quais as personagens ( com algumas excepções) que são ficção e quais as que são baseadas em pessoas reais. Tentei ver na Wikipédia, mas não vi nada que me elucidasse. Da mesma forma que não sei até que ponto as situações retratadas referentes à construção do navio são verdadeiras ou ficcionadas.

 

Pessoalmente não foi uma série que me tivesse despertado á minha atenção, fui vendo, mais pela curiosidade de saber o que acontecia a seguir do que pelo interesse que a mesma me despertou. Posso dizer que nenhuma dos personagens me encheu as medidas e o que gostei mais foi mesmo a parte histórica referente a greves e lutas politicas que marcaram Belfast naquela época.

Para terminar, o fim foi muito pobre e do meu ponto de vista mal construido. Nos últimos episodios, percebemos que grande parte do elenco, por um motivo ou outro vai embarcar no Titanic. Não esperava que a série mostrasse o naufrágio mas achei uma falha não dizerem ao espectador quem viveu e quem morreu. É possível que tenha sido assim para fazerem uma segunda série, mas o espectador que investe 12 horas do seu tempo a ver uma série, merece sempre uma conclusão.

 

 

 

publicado por Vera às 10:38

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